Um blog para mulheres inteligentes e empoderadas pelo conhecimento!

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"Interior de escola árabe em Constantina". Grafite e aquarela sobre papel de Theodore Chasseriau.1846.

domingo, 15 de maio de 2011

The Professor

Escolhi ler The Professor (1846), da autora inglesa Charlotte Brontë (uma das irmãs Brontë), pois ainda estou "nostálgica" do século XIX kkkk. Mas claro que também optei por lê-lo pois queria ter uma ideia do que era ser professor naqueles tempos. A história gira em torno de William Crimsworth, o professor do título.

O órfão William, ao terminar seus estudos aos 18 anos em uma prestigiada escola inglesa, resolve ir contra os planos de seus tios: em vez de casar com uma de suas 5 primas e ser pastor, ele decide procurar seu irmão Edward em outra cidade, e chegando lá descobre que este é um bem sucedido homem de negócios. William começa a trabalhar para seu irmão no comércio mas depois percebe que é muito explorado por ele. Mr. Hunsden, inimigo de Edward, escreve uma carta de recomendação a um amigo seu que mora em Bruxelas, na Bélgica, para que este arrange um emprego de professor de Inglês a William. E é o que acontece: William arruma as malas e viaja para um país totalmente desconhecido, até porque não fala francês. Ele começa a trabalhar em uma escola para garotos, do Sr. Pelet, e também em uma escola para moças, da Srta. Reuter. Nesta escola ele conhece a professora de bordado, Srta.Frances Henri, a qual se torna sua aluna pois seu maior desejo é falar Inglês. Daí para frente, os dois começam a se conhecer...



O que mais me surpreendeu na história é que da metade para o final a atenção se volta para a personagem Frances: aparentemente resignada com sua vida de privações, ela demonstra uma força e vontade de mudar impressionantes, e sempre a partir dos estudos. O conhecimento que William lhe proporciona só serve para lhe dar mais confiança. Em dados momentos, o professor William se torna coadjuvante porque o discurso de Frances revela uma independência feminina em pleno século XIX incomum, como quando ela escreve a William dizendo que estava empregada como professora de Francês em uma escola para moças:

"[...] Ficou combinado que eu trabalharia 6 horas por dia (ainda bem que não me pediram para morar na escola, pois ficaria triste se tivesse que renunciar a meus aposentos) e para isso vão me pagar 1.200 francos por ano. Então monsieur, veja, agora estou rica; mais rica do que algum dia imaginei ser.[...]"

Obviamente que eles se casam... E sabe do que mais? William apóia a ideia da esposa continuar trabalhando, outra coisa inusitada para a época! Até mesmo quando ela resolve montar sua própria escola, ele não interfere.


Mas para mim, que sou professora, a melhor mensagem veiculada pela obra e que a atualiza perfeitamente para o século XXI, é que demonstra a nobreza de ensinar e compartilhar conhecimentos com seus alunos; é subir na vida através de seus próprios esforços e através dos estudos, como aconteceu com a humilde Frances; é ser bem sucedido, inclusive financeiramente nesta profissão, a qual é percebida com tão pouca significância pela maior parte da sociedade pós-moderna....


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