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"Interior com menina que lê". Óleo sobre tela de Henrique Bernardelli.1886.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Dica de filme - O retrato de Dorian Gray


O retrato de Dorian Gray (Dorian Gray, 2009) é a adaptação para o cinema do romance homônimo do escritor inglês Oscar Wilde, representante autêntico dos decadentes do final do século XIX. E por isso a história nos leva pra essa temática, a decadência da alma humana e a valorização dos prazeres reais e terrenos, nem que para isso o homem caminhe para a degradação.


Dorian, rapaz ingênuo que acaba de sair do colégio interno, assume toda a fortuna do avô recém falecido e começa a frequentar a sociedade londrina. Logo todos o admiram por sua beleza e Dorian faz amizade com o artista plástico Basil, que se propõe a retratá-lo a fim de perenizar em um quadro a juventude evocada pelo semblante de Dorian. Através de Basil, Dorian conhece o corrupto e hedonista Lord Henry Wotton, que acompanha as sessões do retrato ao mesmo tempo em que apresenta a Dorian as alegrias da vida mundana. Quando finalmente o retrato fica pronto todos se admiram em como Basil conseguiu fazer uma obra-prima e Dorian, ciente de que a obra de arte nunca morre ou se degrada, reclama frustrado: "Tenho inveja de toda a beleza que não morre. Tenho inveja do retrato que você fez de mim. [...]Se fosse eu que ficasse sempre jovem e o retrato que envelhecesse! Para conseguir esse milagre daria tudo, tudo! [...]"


E ele dá sua alma para permanecer eternamente jovem. E viverá sua eterna juventude de forma intensa e inconsequente. Mas será cobrado por isso, e o que antes era seu desejo se transformará em maldição, principalmente quando ele retorna a Londres após muitos anos e se apaixona pela filha de Lord Henry, que pasmem, ele viu nascer! Logo todos começam a perceber algo de anti-natural em Dorian Gray, e como todo pai zeloso, Lord Henry vai investigá-lo...


Vocês não tem ideia da popularidade desse romance na Inglaterra em meados de 1880, que ainda vivia em plena Era Vitoriana, uma época de costumes rígidos e moralistas. Oscar Wilde, decadente que era, com certeza criou a personagem de Lord Henry para servir como seu alter ego e criticar esse período. Mas a principal reflexão que se faz dessa obra, tão atual nos dias de hoje em que se busca extremamente o prazer como fonte de felicidade, é que a única coisa que resiste ao tempo é a obra de arte; a juventude é efêmera e por isso você será julgado por sua essência, pelo que você realmente é....As aparências, no final das contas, não importam muito não é mesmo?

"Vivemos num tempo em que as coisas desnecessárias são as nossas únicas necessidades. Hoje sabemos o preço de tudo e o valor de nada"
Oscar Wilde (1854-1900)


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