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"Interior de escola árabe em Constantina". Grafite e aquarela sobre papel de Theodore Chasseriau.1846.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Para gostar de Bocage!


Manuel Maria Barbosa l'Hedois du Bocage (1765-1805), ou simplesmente Bocage, foi um dos principais, se não O principal representante da poesia árcade em Portugal. Mas esse post não vai ser pra falar do Neoclassicismo ou de suas características tão repetidas pra quem dá aulas no Ensino Médio rsss. Não...Bocage tem uma parte de sua obra bem pouco divulgada, em que trata de temas um pouco mais...digamos....picantes!


Conhecidamente devasso e irreverente, por conta de infelicidades familiares Bocage resolve servir o Exército fixando-se depois na Marinha. Dessa forma viaja por muitos países, chegando inclusive a morar no Rio de Janeiro por um tempo. As experiências de vida, como a prisão pela Inquisição e a deserção da Marinha o levam à boemia e aos excessos. Por fim, morre de aneurisma em Portugal. Aqui um trecho que retrata sua vida louca, em que ele desabafa achando ser "imortal" e por isso mesmo, abusa de tudo; mesmo assim sabe que os prazeres são passageiros:

Meu ser evaporei na lida insana
Do tropel de paixões, que me arrastava.
Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana.[...]





Bocage é dono de uma obra poética bem variada: passeia pelo estilo árcade em si, mas também critica muito a política portuguesa e envereda na literatura erótica. Não se conhece bem suas musas, até porque foram várias e de identidades incertas. Mas deixo hoje pra vocês um poema que fala do encontro de dois amantes...pra quem sabe, inspirar o Dia dos Namorados que está chegando! :)

 SONETO DO PRAZER MAIOR

Amar dentro do peito uma donzela;
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia-noite na janela:

Fazê-la vir abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertá-la nos braços casta e bela:

Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a boca, com prazer o mais jucundo,
Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos:

Vê-la rendida enfim a Amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que há no mundo.


Pra quem gostou e quer ler mais coisas proibidas, acesse aqui!

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