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"Interior de escola árabe em Constantina". Grafite e aquarela sobre papel de Theodore Chasseriau.1846.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Trovando com Pero da Ponte


Não...Não vou falar aqui sobre o Trovadorismo, época literária situada mais ou menos entre os séculos XII e XIV, mas sim de uma cantiga de amor bem especial do trovador/segrel galego Pero da Ponte. Não vou colocar foto dele porque creio não existir (já que procurei muito na web e não encontrei!), mas segue abaixo a cantiga...Especial porque o eu lírico masculino que fala não quer simplesmente "servir" sua dama, a qual não corresponde sua paixão. Ele tem raiva por não ser correspondido...Ele quer magoar quem o magoou e não consegue...E tal atitude foge da regra do "amor cortês", tão característico do "trovar medieval". O amor cortês é resignado; não é exigente, se contenta apenas em "servir". Mas o amor revelado nesta cantiga não é apenas conveniente, pois percebe-se claramente a "coita", ou dor de amar...



Se eu pudesse desamar a quem só me desamou,
e pudesse um mal buscar a quem mal só me buscou!
Assim me vingaria eu,
Se pudesse mágoas dar a quem mágoas só me deu.

Mas só não posso enganar coração que me enganou,
pois que me faz desejar a quem não me desejou.
E por isso não durmo eu,
Pois não posso mágoas dar a quem mágoas só me deu.

Rogo a Deus desamparar a quem me desamparou,
ou que possa eu perturbar a quem só me perturbou.
E logo dormiria eu,
Se pudesse mágoas dar a quem mágoas só me deu.

Talvez ouse perguntar a quem não me perguntou,
Por que ela me a fez cuidar se ela nunca me cuidou.
E por isto padeço eu,
Pois não posso eu mágoas dar a quem mágoas só me deu.

Amar é arriscado sim...mas vale o risco, não é mesmo? Ou estou sozinha neste pensamento? #polêmicasàvista# rsss

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